sábado, 15 de fevereiro de 2014

AMOR E BONDADE

HÁ bondada no amor; mas amor e bondade não são sinônimos; e quando a bondade é separada dos demais elementos do amor, ela envolve uma certa indiferença em relação ao objeto da sua benevolência, ou até mesmo certo conformismo em relação a ele.
A bondade se dispõe de forma bastante rápida à remoção do seu objeto – todos nós já encontramos pessoas cuja bondade em relação aos animais as leva a matá-los para evitar que sofram. A bondade pura e simples não se importa se o seu objeto vem a ser bom ou mau, contanto que ele escape do sofrimento.
De acordo com as Escrituras são os bastardos que são mimados; os filhos legítimos, que têm a incumbência de levar adiante a tradição da família, acabam sendo disciplinados (Hb 12.8). É para as pessoas com as quais não nos importamos nem um pouco que pedimos felicidade incondicional. Quando se trata dos nossos amigos, cônjuges, e filhos, somos exigentes e preferimos muito mais vê-los sofrendo do que vivendo em uma felicidade conformada e alienante.
E parece, a julgar pelos registros, que apesar de Deus ter nos repreendido tantas vezes, Ele jamais se referiu a nós com desprezo. Ele nos recompensou pela extravagante benevolência do seu amor por nós, no sentido mais profundo, mais trágico, mais inexorável.
(C. S. Lewis, em “O PROBLEMA DO SOFRIMENTO”)

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