terça-feira, 21 de agosto de 2012

AQUIETE-SE E SABERÁ

“Na mesma noite lhe apareceu o Senhor.” (Gn 26.24.)
Ele apareceu a Isaque naquela mesma noite, a noite em que fora a Berseba. Será que essa revelação foi um acaso? Será que a ocasião foi acidental? Será que poderia ter acontecido igualmente em outra noite qualquer? Se pensamos que sim, estamos inteiramente enganados. Por que terá isto acontecido na noite em que Isaque chegou a Berseba?
Porque essa foi a noite em que ele alcançou descanso. Em sua antiga localidade ele tinha estado perturbado. Tinha havido ali uma série de querelas mesquinhas quanto a posse de uns simples poços. Não há nada que perturbe tanto como pequenos aborrecimentos, principalmente se vem uma série deles. Isaque sentiu isso. Mesmo depois de passada a luta, o lugar guardava uma associação desagradável.
Ele resolveu sair dali. Buscou mudança de ambiente. Armou suas tendas longe do lugar das antigas lutas. E naquela mesma noite veio a revelação. Deus falou, quando não havia tempestade interior. Ele não podia falar enquanto a mente estivesse preocupada; precisamos estar quietos para ouvir Sua voz. Só em quietude de espírito Isaque pôde perceber o bulir suave das vestes do Senhor ao passar. Aquela noite de quietude foi luminosa para ele.
Será que já consideramos bem as palavras: “Aquietai-vos, e sabei”? Nas horas de perturbação não podemos ouvir a resposta às nossas orações. Quantas vezes nos parece que a resposta vem muito depois! O nosso coração não obtém a resposta no momento em que clama, isto é, na hora da tempestade, durante a prova de fogo, enquanto dura a tormenta interior. Mas quando cessa o pranto, cai o silêncio e a nossa mão desiste de bater contra a porta de ferro; quando o interesse por outras vidas abranda a tragédia da nossa, então surge a tão demorada resposta.
Devemos descansar, se queremos obter o desejo do nosso coração. Deixemos de tantas preocupações pessoais: nas tribulações de todos, esqueçamos a nossa própria aflição. Nessa mesma noite o Senhor nos aparecerá. Sobre as águas que se abaixam, brilhará o arco-íris, e no silêncio ouviremos a música do alto.
(Lettie B. Cowman, em “MANANCIAIS NO DESERTO”)

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