quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LIÇÕES DOS SALMOS
O livro de Salmos me mantém honesto fornecendo-me palavras para orações que eu nem tentaria proferir sem a provocação deles. Aprendi a orar de modo mais humano lendo os salmos e transformando-os em orações minhas. Quando leio os salmos de vingança e de ira, sou obrigado a constatar as mesmas tendências em mim mesmo. Os salmos lançam luz sobre pequenos ressentimentos e feridas há muito tempo sepultados.
Causa-me uma sensação de libertação o fato de que Deus me aceita bem quando, em minhas orações, enfrento o lado negro em mim, e até me estimula a fazer isso. Posso confiar a Deus todos os meu segredos.
Certa vez, estudei uma seqüência de dez salmo (35-44) e listei alguns princípios da oração que aprendi com eles. Descobri que os salmos ampliam meu conceito de oração, fazem ousar mais nesta maravilhosa aventura que é depender somente de Deus, exigir mais do relacionamento e expressar mais paixão. Em suma, eles revelaram a superficialidade das minhas orações pessoais e esafiaram-me a engajar-me com Deus num nível mais profundo. Aqui estão algumas coisas que aprendi:
* Eliminar o rancor contra os inimigos, não com fofocas e hostilidade, mas informando Deus sobre a injustiça deles e pedindo-lhe para a certar as contas.
* Posso manifestar a impaciência pedindo-lhe uma resposta rápida à oração, (sentir impaciência é algo danoso a nós, porém, quando a sentimos, somos livres para assumi-la confessando-a a Deus).
* A oração às vezes envolve falar consigo mesmo (“Não se afobe”; “”Confie em Deus”; “Fique calmo”), dizendo em voz alta o que você sabe que é bom, mas acha difícil pôr em prática.
* Concentre-se não apenas nas injustiças e nos problemas da vida, mas também em tudo que dá certo. Tente lembrar as coisas boas do passado e não se esqueça nas trevas o que você aprendeu na luz.
* Projete-se no futuro como uma pessoa mudada. É o que os psicólogos chamariam de “princípio do agir como se…”
Além desses princípios, nos salmos aprendi a conversar com Deus como conversaria com meu patrão, meu amigo, minha mulher – em suma, tratar Deus como uma pessoa em todos os sentidos da palavra. Antes eu via a oração como uma espécie de dever, não como uma válvula de escape para tudo aquilo em que estava pensando ou sentindo. Os salmos me permitiram ir mais fundo em mim mesmo e no meu relacionamento com Deus.
(Philip Yancey, em “ORAÇÃO ELA FAZ ALGUMA DIFERENÇA”)

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