sábado, 12 de fevereiro de 2011

ALEGRIA MOVIDA PELA CONFIANÇA
A mim me parece que o sofrimento envolve dois problemas: 1) quem causou meu desconforto; 2) minha reação. A grande maioria de nós gasta sua energia tentando descobrir a causa do sofrimento, em vez de decidir como reagir. Á medida que nós nos concentramos na causa, podemos terminar tornando-nos amargos em relação a Deus.
Em Jó, o livro da Bíblia que mais vividamente apresenta a pergunta: “Quem causa o sofrimento?”, Deus deliberadamente evita tal pergunta. Ele jamais explicou a causa a Jó. Notamos que a Bíblia toda prefere desviar-se da causa do sofrimento para tratar da reação ao sofrimento. Dor e sofrimeto atinge-nos sempre; o que faremos? Os três grandes apologistas (defensores) da causa, os amigos de Jô, foram repreendidos por Deus. A Bíblia é tão clara neste ponto que concluo ser a pergunta “É Deus o responsável?” nada importante para os cristãos. A importância real está na pergunta “Como devo reagir, já que esta coisa horrível aconteceu?”
Quanto a melhor reação, a Bíblia dá freqüentemente uma resposta perturbadora:
“Considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações,pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros.” Tg 1:2-4
“Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.” 1Pe 1:6-7
“Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” 2Co 7:9
“Fostes contristados para o arrependimento.” No meu pensar, esse é provavelmente, o resultado mais sucinto e mais exato de todo o papel do sofrimento. Ele se harmoniza com o tom bíblico que enfatiza a reação do cristão, e não a causa do sofrimento. Encaixa-se também nos exemplos onde Jesus tratou de duas tragédias (Lucas 13), Pilatos assassinando judeus e os 18 homens mortos pela queda de uma torre. Cristo reforçou as suas palavras com uma advertência ultissonante: “Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (v.3).
Depois de declarar que estas tragédias não foram causadas por Deus como resultado das ações dos homens, ele voltou-se para a reação das pessoas. Para os não-cristãos, a mensagem é uma advertência a fim de que considerem outros valores na vida e voltem-se para Deus. Para os cristãos, a mensagem é ter confiança em Deus como uma criança confia nos seus pais.
A Bíblia não sugere uma atitude masoquista de deleitar-se com a dor. “Alegra-se no sofrimento” não quer dizer que devemos parecer felizes quando há tragédia e dor. Tal ponto de vista distorceria a expressão verdadeira e honesta dos sentimentos.
A Bíblia focaliza o resultado final, o que Deus pode fazer nas nossas vidas por intermédio do sofrimento. Antes que Ele possa agir, entretanto, precisa de nossa confiança Nele, e essa declaração de confiança pode ser descrita como regozijo.
(Philip Yancey, em “DEUS SABE QUE SOFREMOS”)

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