domingo, 6 de fevereiro de 2011

VISLUMBRANDO A GLÓRIA DE DEUS
Um ansioso Moisés pede ajuda. “E Moisés disse ao Senhor: Eis que Tu me dizes – Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e Tu disseste – Conheço-te por teu nome; também achaste graça aos meus olhos. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos Teus olhos, eu e o Teu povo? Acaso, não é por andares Tu conosco, e separados seremos, eu e o Teu povo, de todo o povo que há sobre a terra?” Ex 33:12-16.
Você dificilmente o condenaria por ter medo. Cercado por israelitas revoltados e impacientes, e por um deserto com ventos quentes e pedras escaldantes, o ex-pastor precisa de segurança. Seu Criador oferece: “Disse, pois: irá a minha presença contigo para te fazer descansar. Então disse o Senhor: Farei também isto; porquanto achaste graça aos meus olhos; e te conheço por nome” Ex 33:14-17.
Você poderia achar que aquilo teria sido suficiente para Moisés, mas ele hesitou. Pensando talvez naquela última frase, “farei também isto, que tens dito…”Talvez Deus tolere mais um pedido. Então, ele engole, suspira e pede…
O que você pensa que ele vai pedir? Ele tem a atenção de Deus. Deus parece desejar ouvir sua oração. “E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com seu amigo” Ex 33:11.
Ele poderia pedir tantas coisas! Moisés sabia que Deus poderia fazer. Todo o Antigo Oriente sabia. Eles ainda estavam falando sobre a vara de Arão ter sido transformada em uma cobra e no Nilo ter virado sangue. O ar tão denso com moscas que você conseguiria respirá-las. O chão tão coberto de gafanhotos que não dava para andar sem pisar neles. Trevas em pleno dia, plantações destruídas. Deus transformou o mar vermelho em tapete vermelho. O maná caiu. Codornizes em debandada. Água fluiu de uma rocha. Deus pode mover montanhas.
De fato, Ele moveu a montanha do Sinai quando Moisés se pôs ali. Quando Deus falou, o Sinai tremeu e os joelhos de Moisés balançaram. Moisés sabia que Deus poderia fazer.
Mas, Moisés precisa de mais: “Rogo-te que me mostre a Tua glória” Ex 33:18.
Nós atravessamos a fronteira quando pedimos um pedido como esse. Quando nosso desejo mais profundo não é pelas coisas de Deus, ou um favor da parte de Deus, mas o próprio Deus, ultrapassamos o limiar. Menos foco em si mesmo, mais foco em Deus.
“Mostre-me o Seu brilho”, Moisés está pedindo em oração. Deixe-me ver Sua essência extra-espetacular que faz o coração parar e o chão tremer.
Por que Moisés queria ver mais da grandeza de Deus?
Faça a si mesmo a mesma pergunta. Por que você fica observando o pôr-do-sol e admirando o céu de uma noite de verão? Por que você procura o arco-íris na névoa ou se espanta com o Grand Canyon? Por que você permite que as ondas do oceano o assombrem ou as cataratas do Niagara o hipnotizem? Como explicar nossa fascinação por tais espetáculos?
Beleza? Sim. Mas a beleza não aponta para alguém belo? A imensidão do oceano não sugere um imenso Criador? O ritmo da migração de pássaros e baleias não sugere uma Mente brilhante? E não é isso que nós desejamos? Um Criador belo? Um Criador imenso? Um Deus poderoso que possa comandar os pássaros e os peixes? Desculpe-me a intromissão, mas o pedido de Moisés não deveria ser o seu? Você tem problemas. Olhe para si. Você quer um deus menor? Não, obrigado. Você e eu precisamos do que Moisés precisou – um vislumbre da glória de Deus.
Nas primeiras páginas das minhas lembranças de infância recordo-me dessa imagem. Meu pai e eu sentados lado a lado numa capela, a visão do meu tio morto nos deixa em silêncio. Esse é o meu primeiro funeral. Lembro-me de que minhas mãos suavam e meu coração batia dentro do peito como um par de tênis colocados numa secadora de roupas. O medo me pegara de jeito. Que outra emoção eu poderia sentir? Para onde olhar? As senhoras chorosas me assustam. Os senhores de olhares vidrados me intrigam. Meu tio morto me assombra. Mas então eu olho para cima e vejo o meu pai.
Ele vira seu rosto em direção a mim e sorri amavelmente. “Esta tudo bem, filho”, ele assegura, colocando sua grande mão sobre minha perna. De algum modo, sei que é verdade. Por que é verdade não sei. Minha família ainda chora, o tio Buck está morto. Mas se papai, em meio a tudo isso, diz que tudo está bem, então isso me basta.
Naquele momento percebi algo. Eu podia olhar em volta e encontrar medo, ou olhar para o meu pai e encontrar fé.
Escolhi o rosto do meu pai.
O mesmo fez Moisés.
O mesmo você pode fazer.
(Max Lucado, em “ISTO NÃO É PARA MIM – RESGATANDO A VIDA QUE NOS FARÁ FELIZES”)

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