quarta-feira, 5 de junho de 2013

OS CAMINHOS DE DEUS  
Nos momentos mais difíceis de uma dolorosa crise financeira e profissional da minha vida, sentia como se uma mão pesada estivesse comprimindo meu peito contra o chão. Sabia que era a mão de Deus, mas também sentia que era o peso do fracasso, de decepcionar a todos, inclusive a mim mesmo. Buscava um emprego que me desse dignidade a mim e a minha esposa, e tenho certeza de que minha busca era legítima. Não havia nisso ganância nem ambição.
Nos momentos mais críticos, em que não suportava mais tanta dor, ouvia algo parecido com isso: “Você precisa de algo além de mim para se sentir digno?”
Essas coisas não aconteciam o tempo todo, mas se tornaram mais frequentes nos picos da crise, quando minha empáfia de estudioso e intelectual não dava conta da situação.
Sabia a resposta para aquela pergunta, mas não queria dizê-lo. Desejava dobrar Deus usando meu sofrimento mas Ele vinha sempre com essa “voz” doce e, para mim, aterradora, fazendo a única pergunta a qual eu não queria responder. Se Lhe respondesse, meus objetivos pessoais estariam para sempre condenados, eu pensava assim. Não queria dar a resposta, porque temia que Deus me mandasse evangelizar os índios na Amazônia.
Dois anos inteiros se passaram até as coisas começarem a se ajeitar. As coisas não ficaram milagrosamente mais fáceis depois disso; ainda chorei muito por causa dos meus fracassos, mas no lugar mais estratégico de minha alma havia uma convicção: minha dignidade era unicamente definida pelo amor de Deus, cuja prova era a cruz de Cristo. Deus matou Seu filho para não me matar. Ou isso serviria como base sólida para o resto da minha vida ou nunca mais encontraria um grama de paz durante meus dias.
Deus me levou a este extremo existencial. Deus conspirou a meu favor para me ensinar que Sua graça me bastava. Nunca, nunca, em sã consciência, eu teria escolhido esse caminho. Mas foi o jeito que Deus encontrou para me salvar de mim mesmo.
Agora sabia exatamente quem Deus era: um Pai amoroso. Diante Dele, todos os meus deuses eram cegos, surdos e mudos, impotentes para satisfazer os desejos mais profundos de minha alma.
(Marson Guedes, em “O CAMINHO DE JEREMIAS”)

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