sábado, 22 de junho de 2013

 SILÊNCIO SATURADO DE AMOR
Por que estou fazendo referências a uma confiança cega? Porque numa confiança cega não há dúvida nem questionamento. Ela é incondicional, absoluta.
Quando a sombra da cruz de Jesus se projeta sobre nós, quando a dor e o sofrimento nos invadem, e nossa vida organizada e segura é atingida, quando a tragédia faz uma visita inesperada e ficamos surdos para todas as coisas, exceto para o clamor do nosso desespero, quando o ânimo desaparece e o mundo em nossa volta se torna repentinamente escuro, a auto-piedade é a primeira reação normal e inevitável. Contudo, embora inevitável, não deve ser alimentada indefinidamente, é na confiança cega na misericórdia de Deus que devemos nos atracar.
É essa confiança inexplicável e redentora que nos faz perseverar em oração durante o tempo que for necessário sem nenhum sentimento de consolo, crendo que “Deus fará justiça aos Seus escolhidos que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los” Lc 18:7. É a confiança cega que nos faz atentar para a advertência: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles” Mt 6:11, levando-nos a , em vez disso, a praticar atos de bondade que ninguém jamais saberá, confiantes que nosso “Pai, que vê em secreto, recompensará” Mt 6:6.
É a confiança cega que nos leva a ter coragem nas noites escuras, quando estamos mergulhados em tristeza, mas sabemos que a ausência de Deus é apenas aparente. Conforme diz Bede Griffiths; “Sinto-me no vazio, mas o vazio está totalmente saturado de amor.”
(Brennan Manning, em “CONFIANÇA CEGA”)

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