quinta-feira, 5 de maio de 2011

O EXÌLIO
O exílio foi a prova de fogo para a fé do povo de Israel. Eles foram levados ao limite da existência onde pensaram estar pendurados nas pontas dos dedos e descobriram que, na realidade, haviam sido levados ao centro, onde Deus estava. Os exilados experimentaram não uma vida de sobrevivência, mas de abundância. Agora eles podiam enxergar com clareza que a vida que outrora tinham, aquela sim, era de sobrevivência. Uma existência à margem de tudo que realmente vale a pena. O exîlio os levou das extremidades para o centro, onde a vida e a morte, o amor e o significado, o propósito e o valor criavam um viver dinâmico, onde participavam do futuro de Deus para eles.
Isso permanece ainda hoje. O exílio é o pior que se revela melhor. É difícil acreditar que a tragédia pode ser boa. Quando o supérfluo é removido, descobrimos o essencial, e o essencial é Deus. Uma vida normal é repleta de distrações e coisas sem importância. Então surgem as catástrofes: mudanças, doenças, acidentes, desemprego, divórcio, morte. Cada um sabe o “exílio” que enfrenta. A realidade de nossa vida é modificada sem nenhuma consulta prévia ou permissão. Não estamos mais em casa.
Todos nós passamos por momentos, dias, meses ou anos de exílio. Que faremos com estas experiências? Reclamaremos? Fugiremos para o mundo das fantasias? Vamos nos embriagar para esquecer a realidade? Ou cultivaremos o solo e buscaremos a paz neste local que habitamos junto das pessoas que convivemos?
O exílio revela o que na verdade importa e nos torna pessoas livres para perseguir isso, isto é, buscar a Deus de todo o nosso coração. Buscar refúgio onde realmente há resposta, plenitude e essência de vida.
(Eugene Peterson, em “ÂNIMO!”)

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